sábado, 19 de fevereiro de 2011

O que vale a vida sem o sonho (continuação)

Um belo dia Albano pega nas suas cabras e sem esperar que o sol nasça, sai de casa na companhia do rafeiro, para encontrar as mais verdinhas ervas.
Foi andando, andando, já levava mais de uma hora a caminhar em passo largo, até que finalmente encontra o desejado, uma enorme encosta verdejante, a dar vida à montanha pincelada de branco.
- É mesmo aqui rafeiro, vamos agora descansar, ficamos ao lado deste ribeiro, para mais tarde almoçar. - Diz o Albano ao seu cão, enquanto estende uma manta para se deitar.
Depois de alguns minutos a olhar para as nuvens, a tentar imaginar objectos, levanta-se e vai fazer nova contagem das cabras, não queria ter o azar de perder uma e andar de coração nas mãos à procura dela. É nessa altura que observa um objecto estranho no horizonte, do outro lado do ribeiro pouco abaixo da estrada em terra batida, de acesso à aldeia.
Ficou curioso e estava em pulgas para saber o que era, tinha de ir até lá, não ia descansar enquanto não o fizesse.
Chama o rafeiro e num tom de entusiasmo diz:
- Vamos rápido agrupar, quero ir já para o outro lado, estar lá antes de almoçar, para não chegar a casa atrasado.
A distância não era muita, e como estava desejoso por saber o que era, num ápice chegou lá. Assim chegado, não queria acreditar no que via, estava estupefacto, os seus olhos reluziam e tinha um sorriso de orelha a orelha.
Era a carcaça do que há muito tinha sido um carro, que por motivos desconhecidos tinha ido parar aquele ponto da serra e ali ficado por muito e muito tempo. Não tinha rodas, nem portas nem motor, apenas os bancos da frente e o volante, a cor também já tinha desaparecido e dado lugar ao castanho ferrugem.
O Albano não resistiu e de imediato sentou-se ao volante, queria sentir-se um verdadeiro motorista.
-Olha só para aqui rafeiro, pareço o senhor Joaquim carteiro.
Estava extasiado com o achado, ele que nunca tinha recebido um presente, achou aquilo o melhor brinquedo que já mais imaginara.
 Mas já era tarde, tinha de voltar para casa, não podia deixar os pais preocupados e correr o risco, de o nunca mais deixar ir para aquele lado da montanha.
Nessa noite estava difícil de pregar olho, não tirava da cabeça o que encontrara, começou então a imaginar as brincadeiras que ia passar a fazer.

continua...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O que vale a vida sem o sonho

Era uma vez um menino muito especial chamado Albano, tinha oito anos, era baixo e franzino, com o cabelo escuro aos caracóis, olhos verdes e arregalados, e com o nariz pequeno e rodeado de sardas que conferia um ar de traquina.
Vivia numa pequena e esquecida aldeia, nos confins de um país perdido no tempo. As montanhas que a rodeavam, cobertas de neve eram tão altas que, durante o inverno a aldeia não via um único raio de sol.
A casa era em pedra, pequena e fria, cheia de frinchas por onde o gélido vento trespassava, desafiando a enorme lareira em brasa, num duelo entre o quente e o frio.
Não havia electricidade, as noites eram passadas à luz da candeia num incómodo silêncio, os pais do Albano pouco falavam, amargurados e exaustos depois de um dia de trabalho, nos íngremes campos de cultivo das encostas montanhosas.
Contavam-se pelos dedos os habitantes desta aldeia, todos com mais de quarenta anos, os mais novos há muito tempo que abandonaram a terra em busca de uma vida mais colorida.
O Albano era a única criança, ele nunca saio da aldeia nem sequer conheceu outros meninos, não ia à escola, não sabia ler nem escrever, apenas sabia contar até vinte, que era o número de cabras que os pais tinham.
Era ele quem as levava para pastar, corria montes e vales em busca do melhor pasto, sempre na companhia do seu cão, o fiel amigo a quem ele chamava de rafeiro.
Era um menino que vivia rodeado pela solidão, sonhador criava ilusões na cabeça, falava com as arvores e com as flores, na esperança que lhe respondessem. Tinha uma maneira própria de falar e de sentir as emoções, como praticamente não falava em casa, quando estava sozinho comunicava com os seus amigos imaginários, de uma maneira especial, com as frases a saíam-lhe sempre a rimar.
Albano tinha uma rotina de vida tão linear, que todos os dias era a repetição do dia anterior.
Saía de casa ao raiar do dia, levava as cabras para o monte e ficava por lá brincando com as pedras, gostava de fazer pirâmides, desafiar a gravidade e construir autênticos arranha-céus.
– Rafeiro vai pela direita, eu fico deste lado á espreita. – Dizia ele ao cão, numa táctica para controlar as cabras.
Por vezes o canino não correspondia, já era velhote e passava mais tempo deitado do que a correr. Nessas alturas Albano usava a técnica da bolacha torrada, ia ao bolço do casaco e sacava do delicioso mino, que a sua mãe fazia nas tardes de domingo.
Juntava o polegar e o indicador, colocava na boca e soprava bem forte, saindo o som agudo que o Rafeiro bem conhecia. Num ápice arrebitava as orelhas e como num truque de magia, enchia-se de força e corria em direcção ao Albano.
– Vamos come meu amiguinho, agora já sabes, quero ajuda a levar as cabras para o ninho. - Diz ele ao cão num tom meigo.
O dia-a-dia do Albano pouco ou nada saía do vulgar, tinha sempre a mesma rotina, mas algo ia acontecer que mudaria a pacatez do menino aldeão.

continua...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

BTT 3 horas non stop Bikestore 2011

Estão aí as provas de pré época fundamentais para testar as evoluções físicas, antes das mais importantes provas da Taça e Regionais.
O parque florestal do Sameiro em Penafiel mais uma vez acolhe uma prova de resistência em BTT de 3 horas, com uma pista curta mas bastante técnica.
A equipa dos Terríveis esteve presente com três atletas na categoria de elites masculinos. O Jorge e o Daniel correram a pares, enquanto que o Rui Guimarães correu a solo.
 A prova foi quase prefeita já que a dupla conseguiu atingir o pódio, ficando em 3º lugar.
 Mas infelizmente o Rui sofreu uma queda que o fez abandonar, passava  pouco mais de uma hora de prova.
Parabéns aos dois premiados e as rápidas melhoras Rui.

Aqui fica o vídeo da prova feito por mim…

domingo, 30 de janeiro de 2011

1º Ciclo cross Bikestore - Paredes

Esta manhã fui até à Cidade de Paredes para assistir ao 1º Ciclo-cross Bikestore.
Foi no Parque da Cidade que a organização decidiu e muito bem construir a bonita pista, aproveitando os vários obstáculos naturais já existentes.
Com o sol que se fez de convidado e com o grande manto de relva por todo o parque, estavam reunidas as condições ideais para realizar uma boa filmagem.



sábado, 29 de janeiro de 2011

Obrigado mãe...

Tudo começa no dia em que a minha mãe se encheu de paciência para me ajudar a equilibrar em cima da BMX. O pátio em terra tinha uma ligeira inclinação e a gente começava desde o fundo do portão, até ao topo junto á casa. Sentava-me, agarrava o guiador com toda a força e aguardava que a minha mãe recuperasse o fôlego para mais uma subida. Assim que arrancava o guiador parecia ganhar vida e teimava andar aos zig-zags, mas com a minha persistência e a força de braços da minha mãe, rapidamente apanhei o jeito e em pouco tempo já subia e descia sem a ajuda de ninguém.
O bairro onde morava tinha uma rua sem saída que dividia doze casas, onde viviam muitos dos meus amigos de infância, todos com a sua BMX de aço. Essa rua era em terra batida e tinha uma ligeira inclinação, as descidas eram feitas sempre de roda de trás a derrapar para ver quem deixava a maior marca.
  Naquela altura não havia dinheiro para peças novas, as bicicletas eram levadas ao extremo da durabilidade, os pneus rompiam tanto que tínhamos de colocar outro por dentro, para que a câmara-de-ar não ficasse à mostra. Quando ficávamos sem calços, tínhamos de usar a técnica da sapatilha, em que com o pé pressionávamos o pneu de trás junto ao V brake, é claro que a minha mãe não gostava nada, pois as solas é que ficavam completamente rompidas, quase a chegar à meia.
Foi assim que nasceu a paixão pelo pedal e tinha muitos sonhos na cabeça, mas já mais imaginaria as oportunidades que se estavam a reservar para o futuro.
   

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Será o principio ou a continuação de tudo o que foi ou do que irá ser !


Após ter sido intervencionado cirurgicamente a umas varizes das pernas, estou de regresso.
Estive mais de um mês de baixa, sem fazer rigorosamente nenhum, só hoje dei a primeira volta de bike após a operação, já tinha muitas saudades, senti-me bem fisicamente e melhor ainda mentalmente.
Tinha como objectivo fazer um pequeno passeio sem esforçar muito, estava com receio que sentisse alguma dor, então o melhor sítio em Amarante para rolar praticamente em plano, de forma descontraída, em convívio com a natureza,  sem levar com o barulho e fumo dos carros… esse sitio é a ecopista.
Amanhã já começo a trabalhar, acaba a boa vida …mas começa um novo ciclo, espero que este ano seja prospero…