Um belo dia Albano pega nas suas cabras e sem esperar que o sol nasça, sai de casa na companhia do rafeiro, para encontrar as mais verdinhas ervas.
Foi andando, andando, já levava mais de uma hora a caminhar em passo largo, até que finalmente encontra o desejado, uma enorme encosta verdejante, a dar vida à montanha pincelada de branco.
- É mesmo aqui rafeiro, vamos agora descansar, ficamos ao lado deste ribeiro, para mais tarde almoçar. - Diz o Albano ao seu cão, enquanto estende uma manta para se deitar.
Depois de alguns minutos a olhar para as nuvens, a tentar imaginar objectos, levanta-se e vai fazer nova contagem das cabras, não queria ter o azar de perder uma e andar de coração nas mãos à procura dela. É nessa altura que observa um objecto estranho no horizonte, do outro lado do ribeiro pouco abaixo da estrada em terra batida, de acesso à aldeia.
Ficou curioso e estava em pulgas para saber o que era, tinha de ir até lá, não ia descansar enquanto não o fizesse.
Chama o rafeiro e num tom de entusiasmo diz:
- Vamos rápido agrupar, quero ir já para o outro lado, estar lá antes de almoçar, para não chegar a casa atrasado.
A distância não era muita, e como estava desejoso por saber o que era, num ápice chegou lá. Assim chegado, não queria acreditar no que via, estava estupefacto, os seus olhos reluziam e tinha um sorriso de orelha a orelha.
Era a carcaça do que há muito tinha sido um carro, que por motivos desconhecidos tinha ido parar aquele ponto da serra e ali ficado por muito e muito tempo. Não tinha rodas, nem portas nem motor, apenas os bancos da frente e o volante, a cor também já tinha desaparecido e dado lugar ao castanho ferrugem.
O Albano não resistiu e de imediato sentou-se ao volante, queria sentir-se um verdadeiro motorista.
-Olha só para aqui rafeiro, pareço o senhor Joaquim carteiro.
Estava extasiado com o achado, ele que nunca tinha recebido um presente, achou aquilo o melhor brinquedo que já mais imaginara.
Mas já era tarde, tinha de voltar para casa, não podia deixar os pais preocupados e correr o risco, de o nunca mais deixar ir para aquele lado da montanha.
Nessa noite estava difícil de pregar olho, não tirava da cabeça o que encontrara, começou então a imaginar as brincadeiras que ia passar a fazer.
continua...
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