Tudo começa no dia em que a minha mãe se encheu de paciência para me ajudar a equilibrar em cima da BMX. O pátio em terra tinha uma ligeira inclinação e a gente começava desde o fundo do portão, até ao topo junto á casa. Sentava-me, agarrava o guiador com toda a força e aguardava que a minha mãe recuperasse o fôlego para mais uma subida. Assim que arrancava o guiador parecia ganhar vida e teimava andar aos zig-zags, mas com a minha persistência e a força de braços da minha mãe, rapidamente apanhei o jeito e em pouco tempo já subia e descia sem a ajuda de ninguém.
O bairro onde morava tinha uma rua sem saída que dividia doze casas, onde viviam muitos dos meus amigos de infância, todos com a sua BMX de aço. Essa rua era em terra batida e tinha uma ligeira inclinação, as descidas eram feitas sempre de roda de trás a derrapar para ver quem deixava a maior marca.
Naquela altura não havia dinheiro para peças novas, as bicicletas eram levadas ao extremo da durabilidade, os pneus rompiam tanto que tínhamos de colocar outro por dentro, para que a câmara-de-ar não ficasse à mostra. Quando ficávamos sem calços, tínhamos de usar a técnica da sapatilha, em que com o pé pressionávamos o pneu de trás junto ao V brake, é claro que a minha mãe não gostava nada, pois as solas é que ficavam completamente rompidas, quase a chegar à meia.
Foi assim que nasceu a paixão pelo pedal e tinha muitos sonhos na cabeça, mas já mais imaginaria as oportunidades que se estavam a reservar para o futuro.
então e a bike que eu te vendi na altura por 3 vinténs :)
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